O site orkut.com acordou com contagem regressiva, o criador publicou uma carta criticando as redes sociais atuais e o lançamento de hoje trouxe uma surpresa: o Orkut voltou como movimento, não como rede social. Entenda cada detalhe, sem ilusão e sem pressa

Quem viveu o auge do Orkut no Brasil acordou, nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026), com uma dose pesada de nostalgia. O endereço oficial orkut.com exibia uma contagem regressiva acompanhada da mensagem de que uma “grande mudança” estava a caminho, e o relógio zerou durante a manhã. Em poucas horas, grupos de WhatsApp, timelines e rodas de conversa ao redor do país voltaram a fazer a pergunta que vem se repetindo há mais de uma década: afinal, o Orkut vai voltar?
A resposta de hoje é um “sim, mas com um detalhe importante”. O Orkut revelou o que estava por trás do anúncio e confirmou que está preparando uma nova rede social. Só que a plataforma ainda não foi lançada. O que entrou no ar foi um site de mobilização, com uma campanha de apoio, e não uma rede onde você possa criar perfil, escolher foto e começar a procurar os amigos da época do colégio. Neste artigo, reunimos todas as novidades confirmadas, separamos o que já é fato do que ainda é promessa e explicamos como tudo isso se encaixa na história de uma das redes sociais mais queridas do Brasil.
Um pouco de memória: o que foi o Orkut original
Para entender o tamanho da expectativa, vale lembrar de onde tudo veio. O Orkut foi criado pelo engenheiro turco Orkut Büyükkökten, na época funcionário do Google, e lançado em 2004. A rede foi desligada em 2014, depois de uma década de existência. Nesse período, ela se tornou um fenômeno especialmente forte no Brasil, onde virou, para muita gente, a porta de entrada para a vida social na internet.

O que a maioria das pessoas lembra com mais carinho não é exatamente a tecnologia, e sim o clima: as comunidades sobre qualquer assunto imaginável, os depoimentos escritos por amigos, os álbuns de fotos, os recados trocados no perfil. Era uma internet mais lenta, mais caseira e, para boa parte dos usuários, mais humana do que a de hoje. É exatamente esse sentimento que a marca, agora, tenta reaproveitar.
A linha do tempo da volta, até hoje
A história da “volta” não começou hoje. Ela vem sendo construída em etapas ao longo dos últimos anos:

- 2022: o site orkut.com foi reativado com uma mensagem misteriosa, algo como “estamos construindo algo novo para você”, e acendeu pela primeira vez a especulação sobre um retorno.
- 2025: o próprio Büyükkökten voltou a falar publicamente sobre o assunto, afirmando que desenvolvia uma nova rede social inspirada nos valores do Orkut original, com foco em comunidades, amizades verdadeiras e ambientes mais saudáveis. Naquele momento, não havia data, nome oficial confirmado nem detalhes de funcionalidades.
- Agosto de 2026: surgiram projetos independentes que recriam a experiência da época. Um deles é o Angiru, plataforma desenvolvida no Paraguai que reproduz o visual e recursos associados ao Orkut. Reportagens sobre o tema deixaram claro, porém, que esse tipo de projeto não tem vínculo com o Google nem com o criador do Orkut, e que nenhum deles representa um relançamento oficial. O mesmo vale para iniciativas que permitem usar versões antigas do MSN Messenger.
- Início de outubro de 2026: o criador concedeu entrevista ao TechTudo, publicou uma carta criticando o funcionamento das redes sociais atuais e colocou no ar uma contagem regressiva no site oficial, marcada para esta quinta-feira.
- 8 de outubro de 2026: a contagem terminou e o site revelou a campanha que vamos detalhar a seguir.
O que foi lançado hoje, exatamente
O novo site abre com uma mensagem direta ao visitante: “Você merece algo melhor das redes sociais”. A proposta apresentada é construir uma plataforma centrada em pessoas autênticas, conexões reais e um verdadeiro senso de pertencimento.

Em vez de um cadastro para a futura rede, o que existe é uma campanha de assinaturas, apresentada como uma espécie de petição. O visitante preenche informações como idade, nome, país e e-mail, com telefone opcional. Ao enviar, recebe um código único e um cartão de apoiador, que traz o logotipo do Orkut, o nome e o país da pessoa, o código individual, a data de adesão e um QR Code que leva ao site oficial.
Há três esclarecimentos importantes que o próprio site faz, e que valem repetir para evitar frustração:
- Assinar não cria conta. Não existe, por enquanto, perfil, feed ou área logada para usar.
- Assinar não reserva nome de usuário e não garante vaga em eventual fila de acesso antecipado quando a rede for lançada.
- Não é uma petição dirigida a governo, órgão público ou empresa. É uma forma de demonstrar apoio à criação da nova rede social.
A campanha também tem uma meta ambiciosa: reunir milhões de assinaturas para provar que existe público interessado em uma alternativa ao modelo atual. Depois de assinar, o participante é incentivado a escolher uma pessoa importante, enviar a ela o seu cartão e explicar por que se lembrou dela. Ou seja, a estratégia transforma cada apoiador em divulgador, num movimento que lembra o jeito como o Orkut original se espalhava: por convite, de amigo para amigo.
O que o novo Orkut promete
Embora não haja produto para testar, o site e a carta do criador deixam bem claros os princípios da proposta.
Comunidades no centro de tudo
As comunidades eram a alma do Orkut original, e voltam como pilar da nova visão. Na carta, Büyükkökten afirma que é isso que as pessoas mais sentem falta quando lembram da rede antiga, e cita exemplos clássicos: grupos de gente que consertava o mesmo modelo de moto, usava a mesma linha de ônibus ou simplesmente não gostava de segunda-feira. A ideia é que a rede ajude cada pessoa a encontrar a sua “turma”, em vez de apenas empurrar um fluxo interminável de conteúdo.
Conhecer, reencontrar e ser melhores amigos
O site resume a proposta em três objetivos: conhecer novos amigos, reencontrar amigos e ser amigos melhores. O primeiro conversa com a descoberta de pessoas a partir de interesses em comum. O segundo mexe diretamente com a nostalgia e com a vontade de recuperar contatos perdidos ao longo dos anos. O terceiro amplia o foco para relações que já existem, sugerindo que uma rede social deveria ajudar a fortalecer vínculos, e não só aumentar o número de contatos.
Inteligência artificial, com uma ressalva
Um bloco inteiro da apresentação é dedicado à inteligência artificial e ao seu impacto sobre a autenticidade online. Segundo o site, a IA está tornando mais difícil distinguir o que é real do que é produzido artificialmente, e cita bots, deepfakes e conteúdo sintético como fatores que corroem a confiança nas plataformas. O curioso é que o projeto não propõe abolir a tecnologia: a defesa é de que a IA pode ajudar as pessoas a formar e aprofundar amizades, desde que não substitua as relações humanas. A promessa é construir um ambiente em que o usuário saiba com quem está falando.
“Uma internet mais humana”
Essa expressão aparece repetidamente e funciona como o conceito central. A carta de Büyükkökten explica a motivação: segundo ele, as redes sociais passaram duas décadas otimizando seus produtos para capturar atenção e aumentar o tempo de tela, com feeds construídos em torno de engajamento, e não de conexão. Ele também afirma que a IA coloca em risco a premissa que tornava as redes especiais, a de que há uma pessoa real do outro lado. Em entrevista, resumiu a filosofia dizendo que devemos escolher a conexão em vez dos cliques.

Por que o Orkut ainda mexe tanto com os brasileiros
Poucas marcas digitais têm uma relação tão afetiva com o público brasileiro quanto o Orkut. Mesmo tendo sido criado por um engenheiro turco dentro de uma empresa americana, a rede encontrou no Brasil um terreno especialmente fértil, e muita gente da geração que cresceu nos anos 2000 lembra dela como o primeiro espaço em que se sentiu “dono” de um pedaço da internet: um perfil personalizado, uma lista de amigos, comunidades para cada gosto, desde séries e bandas até piadas internas que só aquele grupo entendia.
Esse valor afetivo ajuda a explicar um fenômeno curioso: a marca continuou carregando um peso emocional enorme mesmo depois de mais de dez anos fora do ar. É por isso que uma simples contagem regressiva em um site foi suficiente para movimentar redes sociais e portais de notícias. O desafio do projeto, agora, é converter essa memória coletiva em algo que as pessoas queiram usar todos os dias, e não apenas relembrar com carinho.
Como participar da campanha, passo a passo
Para quem quer apoiar o projeto desde já, o processo anunciado hoje funciona assim:
- Acesse apenas o site oficial (orkut.com) e leia a proposta apresentada na página inicial.
- Preencha o formulário de apoio com idade, nome, país e e-mail. O telefone é opcional.
- Receba seu código único e seu cartão de apoiador, que mostra seu nome, país, código e data de adesão, além de um QR Code que leva ao site oficial.
- Compartilhe o cartão com alguém que você gostaria de ter nessa nova experiência, contando por que se lembrou dessa pessoa. É esse gesto que o projeto usa como motor de divulgação.
Vale reforçar o que a própria página esclarece: esse processo mede o interesse do público, mas não equivale a ter uma conta na futura rede.
O que o novo Orkut não é (pelo menos por enquanto)
Aqui está o ponto que mais vai decepcionar quem esperava um “Orkut 2004 de volta”. O projeto não apresenta a nova rede como uma simples reconstrução da antiga. Por enquanto, não há promessa de recuperar recursos como scraps, depoimentos ou álbuns, que marcaram a experiência original. A inspiração está nos princípios, especialmente a formação de comunidades e o contato entre pessoas com interesses em comum, e não em copiar a interface ou as ferramentas daquela época.
Isso faz sentido do ponto de vista do produto: a internet de 2026 tem problemas que não existiam da mesma forma em 2004, como conteúdo gerado por IA, bots em massa e feeds otimizados por algoritmos. A futura plataforma terá de adaptar a ideia de comunidade a esse cenário, e não apenas reproduzir o passado.
As perguntas que ainda estão sem resposta

O lançamento de hoje apresenta bem a proposta, mas deixa em aberto questões fundamentais. Até o momento, não foram divulgados:
- Data de lançamento da rede social;
- Nome definitivo da plataforma (a marca Orkut aparece, mas a nova rede é tratada como um projeto novo associado a ela);
- Interface e funcionalidades, incluindo como as comunidades funcionarão na prática;
- Modelo de negócios: não se sabe se a rede será gratuita, financiada por anúncios, por assinatura ou de outra forma;
- Moderação, privacidade e segurança, incluindo a tecnologia que seria usada para verificar a autenticidade dos usuários;
- Critérios para o próximo passo depois da campanha de assinaturas, como o número de apoiadores necessário para avançar.
Existe ainda um desafio de fundo, que analistas já apontam: como construir uma plataforma que critica a lógica de captura de atenção e, ao mesmo tempo, crescer, moderar milhões de interações e se sustentar financeiramente sem depender dos mesmos incentivos que ela questiona. É uma pergunta que só o produto, quando existir, poderá responder.
Cuidado: a nostalgia também atrai golpistas
Sempre que uma marca querida volta aos holofotes, aparecem oportunistas. Por isso, vale ficar atento a alguns pontos de segurança, que são recomendações gerais de boas práticas, e não alertas específicos divulgados pelo projeto:
- Use apenas o endereço oficial (orkut.com). Desconfie de sites com nomes parecidos, links recebidos em mensagens ou anúncios que prometam “acesso antecipado” ou “reserva de nome de usuário”. O próprio site oficial deixa claro que a assinatura não dá nenhum desses benefícios.
- Ao preencher qualquer formulário, forneça apenas o necessário. Na campanha oficial, o telefone é opcional; não há motivo para enviar documentos, senhas ou dados bancários.
- Lembre que projetos como o Angiru são independentes. Podem ser divertidos para matar a saudade, mas não têm relação com o criador do Orkut nem com o Google, então vale cautela ao compartilhar informações pessoais neles.
- Ninguém vai cobrar para “ativar” sua conta antiga. O Orkut original foi encerrado e não existe conta antiga para recuperar nessa campanha.

Perguntas e Respostas sobre a volta do Orkut
O Orkut voltou? Em parte. O Orkut confirmou hoje que está preparando uma nova rede social e lançou um site com uma campanha de apoio. A rede em si, porém, ainda não está no ar.
Posso criar uma conta no novo Orkut agora? Não. O que existe é uma campanha de assinaturas. Assinar gera um código e um cartão de apoiador, mas não cria perfil, não reserva nome de usuário e não garante lugar em fila de lançamento.
Quando a nova rede social será lançada? Não há data divulgada. O projeto está em fase de mobilização, reunindo apoiadores antes de apresentar a plataforma completa.
Meus scraps, fotos e depoimentos antigos vão voltar? Não há nenhuma promessa nesse sentido. O projeto não se apresenta como uma recriação da rede de 2004 e não anunciou recursos como scraps, depoimentos ou álbuns.
Quem está por trás do projeto? Orkut Büyükkökten, engenheiro turco e criador da rede original, que lidera pessoalmente a iniciativa.
O Angiru é o novo Orkut? Não. O Angiru é uma plataforma independente, desenvolvida no Paraguai, que recria a experiência do Orkut, sem vínculo com o Google ou com o criador da rede.
O que a nova rede promete de diferente das atuais? Foco em comunidades, pessoas reais e conexões genuínas, uso da IA para aproximar pessoas (e não substituí-las) e uma crítica explícita a feeds otimizados para engajamento e tempo de tela.
Conclusão
O Orkut voltou antes como ideia do que como produto. Hoje, quem entra no site pode conhecer a proposta, assinar o movimento e ajudar a reunir potenciais usuários, mas ainda não pode usar uma rede social. Para um projeto que promete uma internet mais humana, começar pela comunidade, e não pela tecnologia, é uma escolha coerente e, ao mesmo tempo, uma aposta arriscada, já que a nostalgia sozinha não sustenta uma plataforma.
O verdadeiro teste virá depois: transformar a adesão emocional em um produto que funcione, que seja seguro, que tenha um modelo de negócios honesto e que consiga cumprir a promessa de conexões autênticas em um mundo cheio de bots e conteúdo sintético. Até lá, a melhor postura é a de curiosidade com os pés no chão: acompanhar as novidades pelos canais oficiais, desconfiar de atalhos e lembrar que, desta vez, o Orkut não está tentando ser uma máquina do tempo. Está tentando ser uma resposta ao presente.
