Tecnologia e Energia: O Que os Candidatos à Presidência Propõem para 2026

Inteligência artificial, data centers, energia renovável e inclusão digital viraram protagonistas nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral para as eleições de 2026. Reunimos as propostas dos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas em sete critérios objetivos — para que você compare e tire suas próprias conclusões

Os planos de governo para 2026 colocam inteligência artificial, infraestrutura digital, data centers e energia renovável entre os temas discutidos pelos candidatos à Presidência. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Pela primeira vez em uma eleição presidencial brasileira, inteligência artificial, data centers e transição energética deixaram de ser temas coadjuvantes nos planos de governo e passaram a ocupar espaço central ao lado de economia, segurança e saúde. Um levantamento independente que analisou 177 propostas de tecnologia nos programas dos principais candidatos mostra que “inteligência artificial” já é o termo mais citado entre os cinco planos analisados, com 34 menções somadas — mas também revela que apenas três candidaturas se dedicam a discutir como essa tecnologia deveria ser regulada, uma diferença que separa quem trata IA como oportunidade econômica de quem também discute seus riscos.

Este artigo organiza, de forma comparativa e sem viés editorial, o que os seis candidatos com maior participação nas pesquisas — Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — apresentam em seus planos de governo oficiais para tecnologia e energia limpa. A comparação segue sete critérios: investimento em inovação e infraestrutura digital, inclusão digital, incentivo a startups e pesquisa, metas de energia renovável, transição energética, financiamento das propostas e viabilidade. As informações vêm dos próprios documentos protocolados no TSE, obrigatórios por lei para qualquer candidato ao Executivo, e de análises produzidas por veículos especializados que compararam os seis planos lado a lado.

1. Investimentos em inovação, inteligência artificial e infraestrutura digital

Esse é o eixo em que todos os seis planos mais convergem em intenção — e mais divergem em método. Segundo o mesmo levantamento, data centers aparecem como tema presente em todos os planos analisados, embora com caminhos de incentivo bem diferentes entre si.

Lula (PT) apresenta a tecnologia dentro de uma estratégia de soberania digital e desenvolvimento industrial. O programa cita infraestrutura de dados, computação em nuvem, instalação de data centers, desenvolvimento de modelos de linguagem em português e o já anunciado Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com investimento previsto de aproximadamente R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028. Como demonstração prática dessa estratégia, o governo já anunciou, em agosto de 2026, um supercomputador voltado a IA em Macaíba (RN), com investimento estimado em R$ 1 bilhão.

Os seis planos analisados incluem propostas relacionadas a inteligência artificial e data centers, mas apresentam diferentes estratégias para infraestrutura, regulação e investimentos. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Flávio Bolsonaro (PL) propõe uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial voltada especialmente à disseminação da tecnologia entre micro, pequenas e médias empresas, com aplicações em indústria, agronegócio, saúde e logística. O plano também prevê a criação de uma assistente virtual pública chamada ClarIA e a implementação de um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF. Na infraestrutura, defende um polo global de data centers sustentáveis, apoiado em energia com menos impostos.

Augusto Cury (Avante) trata tecnologia e IA como elementos transversais, presentes em praticamente toda a extensão do seu plano de governo — que tem cerca de 200 páginas, um formato descrito como semelhante ao de um livro. Entre as propostas específicas está tratar a inteligência artificial como infraestrutura estratégica de Estado, com bolsas de mestrado e doutorado em IA aplicada e participação de pesquisadores nos ganhos econômicos de suas próprias inovações.

Ronaldo Caiado (PSD) condiciona incentivos tributários para data centers a exigências ambientais, tecnológicas e sociais — uma abordagem mais regulatória do que a de outros candidatos, alinhada à proposta de marco legal de IA baseado em uso, risco e danos concretos, com regras mais flexíveis para pesquisa e pequenas empresas.

Romeu Zema (Novo) relaciona tecnologia diretamente a produtividade e atração de investimentos, defendendo posição de menor regulação: propõe evitar regras amplas e precoces sobre IA, priorizando disponibilidade de energia competitiva para atrair setores intensivos em eletricidade, incluindo inteligência artificial e data centers.

Renan Santos (Missão) concentra sua proposta no chamado Marco Brasileiro da Inteligência Artificial (MBIA), estruturado em 14 medidas organizadas em cinco eixos: capital e impostos, talentos, data centers, IA aplicada ao agronegócio e infraestrutura nacional de IA — incluindo o Projeto Abaporu, um laboratório nacional de IA com participação majoritária de capital privado, e a criação de “Zonas Econômicas de Alta Inteligência”, com regimes regulatório, tributário e energético próprios.

2. Expansão do acesso à internet e inclusão digital

Os planos apresentam propostas diferentes para ampliar a conectividade, incluindo internet, banda larga, 5G e programas de inclusão digital. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Um levantamento independente que mapeou os planos aponta uma assimetria relevante dentro da própria agenda digital: propostas de governo digital somam 48 menções nos cinco planos analisados, contra apenas 30 voltadas à inclusão digital — um sinal de que a modernização de serviços públicos recebeu mais atenção do que o acesso da população à tecnologia.

Dentro desse cenário mais desigual, Flávio Bolsonaro é o que apresenta as propostas mais diretas de inclusão: pacotes de internet gratuitos, com prioridade para mulheres, e a continuidade do programa Wi-Fi Brasil. Zema menciona a expansão de banda larga e 5G especificamente em áreas rurais, dentro do eixo de inovação no agronegócio. Lula trata a ampliação de conectividade como parte de sua estratégia de soberania digital, sem detalhamento tão específico quanto o de Bolsonaro nesse ponto. Os planos de Cury, Caiado e Renan Santos, segundo o material disponível, concentram menos detalhamento específico nesse eixo em comparação aos investimentos em infraestrutura de IA e data centers.

3. Incentivo a startups e pesquisa científica

A presença da própria palavra “startup” já mostra uma diferença de ênfase entre os planos: o termo não aparece no programa de Lula, aparece uma única vez nos planos de Bolsonaro e Renan Santos, duas vezes no de Zema, cinco vezes no de Caiado e seis vezes no de Cury — uma diferença que não define sozinha a qualidade de cada proposta, mas indica onde cada candidatura colocou peso retórico.

Cury é o mais explícito nesse eixo, com bolsas de pós-graduação em IA aplicada e incentivos para que universidades desenvolvam patentes, incluindo a participação de pesquisadores nos próprios ganhos econômicos gerados por suas inovações. Renan Santos foca no estímulo ao venture capital brasileiro, redução de impostos sobre empresas de tecnologia e facilitação de stock options — mecanismo pelo qual funcionários recebem parte da remuneração em ações da própria empresa. Caiado também menciona startups com frequência, dentro de uma abordagem regulatória mais flexível para pequenas empresas de tecnologia. Os planos de Lula, Bolsonaro e Zema tratam o tema de forma mais indireta, associado a políticas mais amplas de inovação, digitalização de serviços ou produtividade agrícola.

Os programas analisados apresentam diferentes propostas para pesquisa científica, formação de especialistas, startups, venture capital e desenvolvimento tecnológico. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

4. Metas para energia solar, eólica e outras fontes renováveis

Uma análise que comparou os planos de governo de todos os candidatos à Presidência para o setor de energia encontrou um ponto de partida comum entre praticamente todos eles: aproveitar a elevada participação das fontes renováveis já existente na matriz elétrica brasileira e utilizá-la como instrumento de desenvolvimento econômico — as diferenças aparecem principalmente nos instrumentos específicos propostos para isso, não na intenção geral.

Energia solar, eólica, hidrogênio verde e outras fontes aparecem nos planos como instrumentos de desenvolvimento econômico e transição energética. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Augusto Cury apresenta o plano mais detalhado tecnicamente nesse eixo, batizado de PENER-BR (Energias Renováveis do Brasil): uma plataforma baseada em inteligência artificial para mapear o potencial de geração solar, eólica onshore e offshore, oceânica, de biomassa e hidrogênio verde, além de um “Corredor Nacional do Hidrogênio Verde” com hubs industriais no Nordeste, com meta declarada de colocar o Brasil entre os três maiores exportadores mundiais de hidrogênio até 2035.

Renan Santos também aposta fortemente no Nordeste como polo de energia renovável, com projetos de industrialização em Suape (PE), voltado a hidrogênio verde, e Aratu-Camaçari (BA), voltado a baterias e mobilidade elétrica — mas soma a essa aposta em renováveis uma proposta de expansão da energia nuclear, com um novo reator batizado de “Angra 4”, viabilizado pelo urânio de Santa Quitéria (CE), o que o diferencia dos demais candidatos ao incluir uma fonte não renovável dentro da mesma estratégia energética.

Zema propõe usar a disponibilidade de energia limpa e competitiva do país como ferramenta para atrair setores intensivos em eletricidade, como IA e data centers — uma abordagem que trata energia renovável menos como meta ambiental isolada e mais como vantagem competitiva de atração de investimento estrangeiro. Bolsonaro, de forma parecida, relaciona a expansão dos data centers à matriz elétrica renovável já existente no país como diferencial de atratividade. Caiado condiciona incentivos a exigências que incluem energia renovável e eficiência hídrica. As propostas específicas de Lula nesse eixo, segundo o material disponível, aparecem mais associadas à expansão da infraestrutura de dados de forma sustentável do que a metas numéricas específicas de geração renovável.

5. Redução de emissões e transição energética

Esse critério aparece de forma mais transversal do que como um capítulo isolado na maioria dos planos, muitas vezes embutido dentro das propostas de infraestrutura digital sustentável ou de industrialização com fontes limpas.

O plano de Lula, segundo análises publicadas, associa a expansão de data centers e infraestrutura computacional a eficiência energética, fontes renováveis e avaliação dos impactos elétricos e hídricos dessa expansão — reconhecendo explicitamente que o crescimento de data centers no país tem um custo ambiental que precisa ser monitorado, não apenas um benefício econômico a ser maximizado. Bolsonaro e Zema tratam a transição energética principalmente como consequência natural de aproveitar a matriz elétrica já majoritariamente renovável do Brasil, mais do que como um conjunto de metas específicas de redução de emissões. Cury e Renan Santos relacionam a transição energética a projetos concretos de exportação de hidrogênio verde, que dependem de geração renovável adicional para viabilizar sua produção em escala industrial. Caiado condiciona parte dos incentivos tecnológicos a exigências ambientais, o que indiretamente vincula esse eixo à sua proposta de tecnologia.

6. Custos, prazos e fontes de financiamento

Esse é o critério em que a comparação se torna mais difícil de fazer de forma equivalente entre os seis planos, porque cada candidato detalha esse ponto com um nível de precisão bem diferente.

Lula é o único, entre os planos analisados nas fontes consultadas para esta matéria, que já apresenta uma cifra oficial específica e associada a um programa em andamento: os R$ 23 bilhões previstos para o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial entre 2024 e 2028, somados ao investimento já anunciado de R$ 1 bilhão no supercomputador de Macaíba — valores que se beneficiam do fato de partirem de um governo já em exercício, com parte da execução em curso.

Os demais candidatos, sendo desafiantes ao cargo, apresentam majoritariamente modelos de financiamento baseados em atração de capital privado e incentivo fiscal, em vez de valores fechados de investimento público direto. Renan Santos propõe reduzir impostos sobre empresas de tecnologia e estimular venture capital privado como fonte principal de financiamento do setor, com o Estado atuando mais como facilitador regulatório do que como investidor direto. Zema segue lógica semelhante, priorizando atração de capital privado e internacional. Bolsonaro combina isenções fiscais para atrair data centers com investimento público em serviços digitais do SUS e conectividade. Caiado condiciona incentivos fiscais a contrapartidas específicas, o que pode gerar receita ou renúncia fiscal dependendo de como as exigências forem estruturadas. Cury, apesar do detalhamento técnico extenso de seu plano, apresenta menos clareza sobre valores e prazos específicos de financiamento nas fontes consultadas.

7. Viabilidade e clareza das propostas

Este é o critério mais dependente de interpretação — e também o mais importante para qualquer eleitor avaliar de forma crítica, já que um plano de governo tecnicamente exigido por lei nem sempre se traduz, na prática, em execução orçamentária real.

Um estudo independente que analisou 177 propostas de tecnologia nos cinco planos aponta que a inteligência artificial é, de longe, o tema mais citado — mas alerta que apenas três das candidaturas analisadas discutem explicitamente como essa tecnologia deveria ser regulada. Isso é relevante para viabilidade porque um plano que promete atrair investimento em IA sem detalhar as regras do jogo regulatório tende a gerar mais incerteza jurídica para quem for de fato investir, independentemente da generosidade dos incentivos fiscais oferecidos.

Metas, fontes de financiamento, prazos, regulação e condições de execução são alguns dos critérios que podem ser considerados na análise dos planos de governo. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Vale um ponto de cautela válido para qualquer um dos seis planos: planos de governo protocolados no TSE são documentos de intenção, exigidos por lei para o registro da candidatura, e não garantia de execução orçamentária ou aprovação legislativa futura — mesmo o plano com metas mais numericamente ambiciosas (como colocar o Brasil entre os três maiores exportadores de hidrogênio verde do mundo até 2035) depende de fatores que vão muito além da vontade do próximo presidente eleito, incluindo aprovação do Congresso, disponibilidade orçamentária e conjuntura econômica internacional.

Tabela comparativa resumida

CandidatoPartidoEixo mais forteAbordagem de financiamentoPonto de atenção
LulaPTSoberania digital e supercomputação nacionalInvestimento público direto (R$ 23 bi previstos)Menos ênfase declarada em startups
Flávio BolsonaroPLDigitalização de serviços públicos e inclusãoIsenção fiscal + investimento em conectividadeMenos detalhe sobre metas renováveis numéricas
Augusto CuryAvanteTecnologia transversal a todas as áreas + hidrogênio verdePouco detalhamento de valores e prazosPlano extenso, mas com menos clareza financeira
Ronaldo CaiadoPSDRegulação de IA baseada em riscoIncentivo fiscal condicionado a contrapartidasMenos ênfase em metas quantitativas de energia
Romeu ZemaNovoAtração de capital privado via energia competitivaCapital privado e internacionalDefende menos regulação prévia de IA
Renan SantosMissãoMarco regulatório de IA + hidrogênio verde no NordesteRedução de impostos + venture capitalInclui energia nuclear ao lado das renováveis

Checklist: como avaliar essas propostas por conta própria

  • Você já leu o plano de governo completo do candidato que pretende votar, e não apenas resumos de terceiros? Os planos de governo são documentos públicos, protocolados no TSE, disponíveis para consulta por qualquer eleitor.
  • A proposta tem uma meta numérica clara (prazo, valor, indicador), ou fica apenas na intenção genérica? Metas como “colocar o Brasil entre os três maiores exportadores de hidrogênio até 2035” são mais fáceis de cobrar do que promessas sem prazo definido.
  • A fonte de financiamento é clara? Investimento público direto, incentivo fiscal e atração de capital privado têm implicações orçamentárias e de risco muito diferentes entre si.
  • A proposta discute também regulação, ou só incentivo? Um plano que só promete atrair investimento em IA sem discutir riscos e regras pode gerar insegurança jurídica no médio prazo.
  • A proposta de energia limpa está conectada a alguma meta de infraestrutura digital, ou são agendas tratadas separadamente? Data centers e IA consomem uma quantidade crescente de energia, o que torna essa conexão cada vez mais relevante tecnicamente.

Perguntas frequentes

Existe algum candidato que se destaca isoladamente em todos os sete critérios?
Não, segundo o material analisado. Cada candidato concentra detalhamento maior em eixos diferentes: Lula tem os valores de investimento público mais claros; Cury tem o plano tecnicamente mais extenso em energia renovável; Renan Santos e Caiado se destacam em propostas específicas de regulação de IA; Zema e Bolsonaro priorizam atração de capital privado.

Os planos de governo são juridicamente obrigatórios?
A apresentação de um plano de governo é uma exigência legal para o registro de candidaturas ao Poder Executivo no Brasil, incluindo a Presidência. Isso garante que o documento exista e seja público, mas não obriga o eleito a cumprir integralmente o que foi prometido.

Por que alguns planos têm valores específicos de investimento e outros não?
Isso costuma refletir a posição de cada candidato: quem já está no governo (como Lula, buscando reeleição) tende a apresentar valores de programas já em andamento, enquanto candidatos desafiantes frequentemente apresentam metas e diretrizes de política pública sem necessariamente fechar valores orçamentários específicos antes de assumir o cargo.

Regulação de inteligência artificial é um consenso entre os candidatos?
Não. Apenas parte das candidaturas analisadas discute esse tema de forma explícita, e mesmo entre elas há divergência de abordagem — indo de uma regulação baseada em risco e uso concreto até a defesa de evitar regras amplas e precoces sobre o setor.

Onde posso ler os planos de governo na íntegra?
Os planos de governo protocolados por todos os candidatos ao Executivo são documentos públicos, disponíveis para consulta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Conclusão

Os seis planos analisados mostram que tecnologia e energia limpa deixaram de ser pautas secundárias na disputa presidencial de 2026 — mas também deixam claro que não existe um consenso sobre qual caminho é o mais eficaz para o Brasil: enquanto alguns candidatos apostam em investimento público direto e soberania digital, outros priorizam atração de capital privado através de incentivo fiscal, e a diferença na forma de tratar (ou não tratar) a regulação de inteligência artificial talvez seja o ponto mais relevante para quem se preocupa não apenas com o volume de investimento atraído, mas com as regras que vão acompanhar esse crescimento.

Este comparativo reuniu os dados disponíveis nos próprios planos de governo e em análises especializadas para que você possa pesar os critérios que mais importam para a sua própria avaliação — afinal, qual desses sete eixos deveria pesar mais (investimento imediato, clareza de financiamento, ambição de metas, ou solidez regulatória) é, em última instância, uma escolha de prioridade política que cabe a cada eleitor fazer por conta própria.

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