Huawei MateBook Fold: 18 Polegadas em um Notebook Dobrável

Com uma tela OLED dupla que se transforma de um tablet de 13 polegadas em um monitor de 18 polegadas, uma dobradiça feita de metal líquido à base de zircônio e um preço que passa dos US$ 3.700, a Huawei aposta que o futuro dos notebooks não tem tela fixa

O Huawei MateBook Fold Ultimate 2026 combina uma tela OLED dobrável de 18 polegadas com o formato compacto de um notebook quando fechado. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Enquanto a maioria dos fabricantes de notebook ainda debate se vale a pena investir pesado em telas dobráveis, a Huawei já está na sua segunda geração do conceito. A empresa lançou oficialmente, em agosto de 2026, na China, a nova versão do MateBook Fold Ultimate Design, um notebook híbrido que se comporta como tablet, monitor e computador tradicional dentro de um único corpo — e cobra por essa versatilidade um preço de entrada de 24.999 yuans, o equivalente a aproximadamente US$ 3.707, mais do que muitos MacBook Pro topo de linha custam hoje no mercado internacional.

Vamos entender o que exatamente esse dispositivo oferece, o que mudou em relação à primeira geração, e por que ele ainda está distante de chegar às mãos do consumidor brasileiro.

Uma tela que se transforma: de tablet a monitor de 18 polegadas

O coração do MateBook Fold Ultimate continua sendo a sua tela dobrável OLED de camada dupla, com 18 polegadas quando totalmente aberta — a maior tela dobrável já usada em um computador até hoje. Fechado, o dispositivo tem o tamanho aproximado de um notebook tradicional de 13 polegadas, o suficiente para ser carregado dentro de uma bolsa comum sem grandes dificuldades.

O formato dobrável permite usar o MateBook Fold Ultimate como uma grande tela, tablet ou notebook com teclado virtual. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

A versatilidade desse formato permite pelo menos três formas diferentes de uso, segundo a própria Huawei: totalmente aberto, funcionando como uma tela única de 18 polegadas para tablet ou monitor externo; apoiado sobre o suporte integrado ao próprio corpo do aparelho, dispensando um suporte externo separado; ou parcialmente dobrado, com a metade inferior da tela se transformando em um teclado virtual sensível ao toque, liberando o usuário da necessidade de carregar um teclado físico separado, embora um teclado magnético opcional também esteja disponível para quem preferir digitação tradicional.

O que mudou na segunda geração

A principal novidade da versão de 2026 está no processador. O novo Kirin X90 Plus, sucessor do Kirin X90 usado na primeira geração, promete, segundo a própria Huawei, cerca de 25% mais fluidez em relação ao chip anterior, operando com um TDP (limite de dissipação de energia) de 28W — um número relativamente contido para um chip que precisa sustentar o desempenho de um dispositivo híbrido tão ambicioso.

A segunda geração recebeu o Kirin X90 Plus, sistema de resfriamento atualizado e carregamento rápido de até 140W. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Para lidar com o calor gerado por esse tipo de uso intenso, a Huawei equipou o novo modelo com um sistema de resfriamento por câmara de vapor ultrafina, projetado especificamente para reduzir quedas de desempenho durante cargas de trabalho mais pesadas — um problema recorrente em dispositivos dobráveis, que historicamente sacrificam espaço interno de ventilação em troca de um design mais compacto.

A bateria também recebeu atenção: o MateBook Fold Ultimate 2026 utiliza uma configuração de célula dupla, com suporte a carregamento rápido com fio de até 140W, permitindo repor boa parte da energia do dispositivo em poucos minutos — um recurso especialmente útil considerando que uma tela OLED de 18 polegadas tende a consumir bem mais energia do que a tela de um notebook tradicional.

A dobradiça: o verdadeiro desafio de engenharia

Se existe uma peça que resume o desafio de engenharia por trás desse tipo de dispositivo, é a dobradiça. A Huawei batizou o mecanismo usado no novo modelo de “dobradiça basalto em gota d’água” (basalt waterdrop hinge), descrita pela empresa como a maior dobradiça dobrável já usada em um computador. A novidade da geração de 2026 está na incorporação de componentes feitos de metal líquido à base de zircônio, um material empregado justamente para melhorar a durabilidade do mecanismo e tornar o movimento de abrir e fechar o aparelho mais suave ao longo do tempo — um dos pontos mais sensíveis desse tipo de tecnologia, já que a dobradiça é submetida a milhares de ciclos de flexão ao longo da vida útil do produto.

A nova dobradiça “basalto em gota d’água” utiliza componentes de metal líquido à base de zircônio para buscar maior durabilidade e suavidade nos movimentos. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

A durabilidade, aliás, continua sendo a pergunta que só o tempo — e o uso real por parte dos consumidores — vai conseguir responder com precisão. Diferente de um notebook tradicional, cuja tela rígida praticamente não sofre desgaste mecânico ao longo do uso comum, uma tela dobrável depende inteiramente da resistência de materiais flexíveis e de uma dobradiça bem projetada para manter a qualidade de imagem e a suavidade de abertura depois de milhares de dobras.

Design, cores e configurações

Externamente, o modelo de 2026 mantém a estrutura ultrafina que já havia chamado atenção na primeira geração: cerca de 7,3 milímetros de espessura quando totalmente aberto, e pouco menos de 15 milímetros quando dobrado, com peso de aproximadamente 1,16 kg — leve para um dispositivo com uma tela desse tamanho. A parte externa aposta em um acabamento de couro vegano com revestimento de silicone, com opções de cor que incluem dourado, branco, bege e preto, segundo materiais promocionais divulgados pela própria Huawei antes do lançamento.

Mesmo com uma tela de 18 polegadas, o MateBook Fold Ultimate mantém um corpo ultrafino e pesa aproximadamente 1,16 kg. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

O dispositivo chega ao mercado chinês em diferentes configurações, mantendo 32 GB de memória RAM em todas as versões, mas variando a capacidade de armazenamento interno entre 1 TB e 2 TB, dependendo do modelo escolhido — sendo a versão de maior armazenamento a responsável pelo preço mais alto dentro da linha, que pode superar os US$ 4.400 em conversão direta, antes de qualquer imposto de importação.

Além do notebook dobrável: a Huawei também mostrou o MateBook Pro S

No mesmo evento de lançamento, a Huawei também revelou um segundo dispositivo: o MateBook Pro S, um notebook ultraleve tradicional, equipado com um chip totalmente diferente, batizado de Kirin XE90. Esse modelo não compartilha o conceito dobrável do Fold Ultimate, servindo como uma opção mais convencional dentro do mesmo evento de lançamento, voltada a quem busca portabilidade sem abrir mão do formato clássico de notebook.

Um mercado de nicho, mas com concorrência crescente

O MateBook Fold Ultimate não é o único player disputando esse território ainda bastante restrito de notebooks dobráveis de tela grande. Modelos como o Lenovo ThinkPad X1 Fold e o Asus Zenbook Fold já haviam explorado conceitos parecidos anteriormente, embora com telas geralmente menores e propostas um pouco menos ambiciosas do que a tela de 18 polegadas oferecida pela Huawei.

O que diferencia a aposta da Huawei é justamente a ousadia do tamanho de tela e o posicionamento extremamente premium do produto, tanto em preço quanto em materiais utilizados. Ainda assim, especialistas do setor apontam que esse tipo de dispositivo dificilmente vai se popularizar em curto prazo — o preço elevado, combinado com as dúvidas naturais sobre durabilidade de longo prazo de uma tela dobrável desse tamanho, tende a manter esse tipo de produto restrito, por enquanto, a um público early adopter, disposto a pagar um valor considerável para ter acesso ao que há de mais avançado em formato de notebook.

Disponibilidade: por enquanto, só na China

Assim como aconteceu com a primeira geração, a Huawei lançou o novo MateBook Fold Ultimate Design exclusivamente para o mercado chinês, sem anunciar, até o momento, nenhuma previsão oficial de expansão para outros países, incluindo o Brasil. Esse padrão de lançamento restrito não é incomum para produtos mais experimentais da marca, especialmente após as dificuldades comerciais enfrentadas pela Huawei em mercados ocidentais nos últimos anos, associadas a restrições comerciais impostas por governos como o dos Estados Unidos.

O Huawei MateBook Fold Ultimate 2026 foi lançado exclusivamente na China e ainda não possui previsão oficial de chegada ao Brasil. – Fonte: Imagem: Reprodução/Google.

Isso não significa, porém, que o produto seja completamente inacessível fora da China: assim como ocorreu com a primeira geração, é comum que revendedores internacionais especializados em importação de eletrônicos passem a oferecer o dispositivo por conta própria, geralmente com preços mais altos, sem garantia local e sem suporte técnico oficial da marca no país de destino — uma alternativa que já havia sido explorada por consumidores interessados no modelo anterior fora da China.

HarmonyOS: o sistema operacional que separa a Huawei do resto do mercado

Um ponto que merece atenção especial é o sistema operacional. Diferente da maioria dos notebooks do mercado global, que roda Windows ou, em menor escala, alguma distribuição Linux, o MateBook Fold Ultimate utiliza o HarmonyOS, sistema operacional desenvolvido pela própria Huawei, atualmente na sua quinta versão principal voltada a computadores. Esse é um reflexo direto do rompimento comercial entre a Huawei e fornecedores de tecnologia americanos, que impede a empresa de usar o Windows com licenciamento tradicional em determinados cenários, empurrando-a a investir cada vez mais no próprio ecossistema de software.

Isso tem uma consequência prática relevante para consumidores fora da China: a compatibilidade de softwares e aplicativos específicos do HarmonyOS ainda é bem mais restrita do que o ecossistema consolidado do Windows, o que torna a experiência de uso, principalmente para tarefas profissionais específicas que dependam de programas populares no ocidente, potencialmente mais limitada para quem importa o dispositivo para uso fora do mercado chinês.

Para quem esse dispositivo realmente faz sentido

Com um preço de entrada que ultrapassa os US$ 3.700, o MateBook Fold Ultimate claramente não foi desenhado para o consumidor médio. O perfil de uso que a própria proposta do produto sugere é de profissionais que dependem de mobilidade extrema aliada a uma tela grande — designers, arquitetos, executivos que fazem apresentações frequentes fora do escritório, ou profissionais criativos que se beneficiam de uma tela ampla para edição de imagem e vídeo, mas não querem carregar um notebook tradicional de tela grande, historicamente mais pesado e menos portátil.

Para esse tipo de usuário, a possibilidade de alternar entre um tablet compacto de 13 polegadas e uma tela única de 18 polegadas, sem precisar carregar um monitor externo ou um segundo dispositivo, pode justificar o investimento elevado — desde que a durabilidade da tela e da dobradiça realmente se sustente ao longo do tempo de uso real, fora do ambiente controlado de uma demonstração de lançamento.

Como o preço se compara a outros notebooks premium

Para colocar o valor do MateBook Fold Ultimate em perspectiva, vale compará-lo a outros notebooks considerados topo de linha no mercado internacional. Um MacBook Pro configurado com processador mais avançado e boa quantidade de memória, por exemplo, costuma ficar na faixa entre US$ 2.500 e US$ 3.500, dependendo da configuração escolhida — ou seja, mesmo a versão mais cara de um notebook tradicional badalado tende a custar menos do que a versão de entrada do dobrável da Huawei.

Esse tipo de comparação reforça o posicionamento do MateBook Fold Ultimate não como um substituto direto para notebooks tradicionais no dia a dia da maioria dos profissionais, mas como um produto de nicho, voltado a quem está dispondo a pagar um valor considerável a mais especificamente pela proposta de um formato dobrável ainda raro no mercado — e não necessariamente pelo melhor custo-benefício em termos de desempenho puro por dólar investido.

Um produto que já vinha sendo acompanhado de perto

O MateBook Fold Ultimate não surgiu do nada em agosto de 2026. A Huawei havia apresentado uma prévia do conceito ainda em fevereiro, durante a Mobile World Congress (MWC) 2026, em Barcelona, um dos maiores eventos de tecnologia móvel do mundo. Na ocasião, o dispositivo já havia chamado atenção suficiente para conquistar um lugar entre os destaques de inovação do evento, segundo a cobertura de veículos internacionais especializados em tecnologia, que já apontavam o tamanho da tela dobrável como o principal diferencial do produto frente à concorrência.

Esse intervalo de meses entre a prévia internacional e o lançamento comercial efetivo na China é comum em produtos de nicho tecnológico mais ambiciosos, já que costuma envolver ajustes finais de engenharia, testes de resistência de materiais e validação de fornecedores antes da produção em escala comercial — etapas especialmente sensíveis em um dispositivo cujo maior diferencial é justamente uma peça mecânica complexa como a dobradiça basalto em gota d’água.

Perguntas e Respostas sobre o Huawei MateBook Fold Ultimate

Quanto custa o Huawei MateBook Fold Ultimate? O preço de lançamento na China parte de 24.999 yuans, o equivalente a aproximadamente US$ 3.707, podendo passar de US$ 4.400 na versão com maior armazenamento.

O MateBook Fold Ultimate está disponível no Brasil? Não. O dispositivo foi lançado exclusivamente para o mercado chinês, sem previsão oficial de chegada a outros países até o momento. Revendedores internacionais de importação eventualmente oferecem o produto por conta própria, mas sem suporte oficial da marca.

Qual é o tamanho da tela do dispositivo? Totalmente aberta, a tela OLED de camada dupla mede 18 polegadas. Quando fechado, o aparelho tem o tamanho aproximado de um notebook tradicional de 13 polegadas.

O MateBook Fold Ultimate roda Windows? Não. O dispositivo utiliza o HarmonyOS, sistema operacional próprio desenvolvido pela Huawei, o que reduz a compatibilidade com softwares tradicionalmente usados em notebooks com Windows.

Qual é a principal diferença entre a primeira e a segunda geração do dispositivo? A principal mudança está no processador, com o novo Kirin X90 Plus prometendo cerca de 25% mais fluidez em relação ao chip anterior, além de melhorias no sistema de resfriamento e uma dobradiça reformulada com componentes de metal líquido à base de zircônio, visando maior durabilidade.

A tela dobrável é durável? A durabilidade de longo prazo ainda é uma incógnita, segundo especialistas do setor, já que esse tipo de tela depende de materiais flexíveis e de uma dobradiça bem projetada para resistir a milhares de ciclos de abertura e fechamento ao longo da vida útil do produto — algo que só o uso real, ao longo do tempo, vai conseguir confirmar.

Conclusão

O Huawei MateBook Fold Ultimate representa, sem dúvida, um dos experimentos mais ambiciosos do mercado de notebooks dos últimos anos, empurrando os limites do que uma tela dobrável consegue oferecer em termos de tamanho e versatilidade. Ainda assim, seu preço elevado, a disponibilidade restrita à China e as dúvidas naturais sobre durabilidade de longo prazo mantêm esse tipo de dispositivo, por enquanto, mais como uma vitrine tecnológica do que como uma opção realista para o consumidor comum. Resta acompanhar se a Huawei vai conseguir, nas próximas gerações, equilibrar essa ousadia tecnológica com um preço e uma disponibilidade capazes de realmente popularizar o conceito fora do mercado chinês.

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